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riscos_e_rabiscos

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Dezassete

                          

 

“O dezassete é tradicionalmente considerado um número aziago, pois um anagrama de seu número romano XVII é VIXI, que em latim significa "eu vivi", ou seja "estou morto". Em alguns países, como na Itália, se diz que a sexta-feira 17 seja um dia aziago, pois Jesus teria morrido justamente em uma sexta-feira.

 Na Cabala, entretanto, o 17 é um número de boa sorte, pois segundo a Gematria, é a soma das letras hebraicas têt (9), waw (6) e bêth (2), que formam a palavra טוב, tôb, que significa "bem". “ (In, Wikipédia)

 

 

Reparei hoje que o número dezassete tem surgido várias vezes na minha vida de há algum tempo para cá. Já deve ter passado mais vezes por mim mas só agora reparei nele.

 

O meu namoro com o N. começou num dia 17. O meu afilhado nasceu dia 17. A minha afilhada nasceu no dia 17. A minha cirurgia foi dia 17. E um raio de luz que me iluminou hoje com algum esperança, também será dia 17.

São muitas ocorrências do mesmo número!

 

No meu caso, não concordo nada que seja um número aziago. Dou razão à cabala pois tudo o que aconteceu num dia 17 foram coisas boas ou trouxeram coisas boas.

 

Fui à minha médica hoje para lhe pedir um atestado de robustez e aproveitei logo para desfiar o rol da minha vida. Afinal ela conhece-me desde sei lá quando.

Depois de lhe contar das minhas maleitas e ela me ter receitado medicação, expus-lhe a minha situação da cirurgia. É claro que eu já sabia qual a resposta dela: “sim, aproveita!”

Desabei em lágrimas – eu sou assim, chorona, pronto! – e disse-lhe que não queria fazer esta cirurgia. Não sei se ela percebeu ou fingiu que não percebeu os meus receios e hesitações.

Entretanto entrou uma das enfermeiras que me tratava da minha “cratera” e encontrou-me debulhada em lágrimas. Ficou estupefacta a olhar para mim e depois perguntou-me “então mas a doutora I. fez-lhe mal?”. Breve explicação do debulhanço em lágrimas.

No final da consulta, a médica disse-me que eu só poderia fazer uma cirurgia daquelas caso estivesse preparada psicologicamente (coisa que nem em sonhos estou!), e que aquela cirurgia era a que se fazia quando se tinha não-sei-o-quê no cólon, e ainda que aquela cirurgia era recente com o objectivo de perder peso, estando numa espécie de fase experimental. E com isto, ainda fiquei mais convencida que a minha opção não é assim tão disparatada.

 

Tinha marcado uma explicação para as 14.30h. Lá fui, eu a muito custo, com uma dor de cabeça descomunal e os olhos vermelhos inchados e vermelhos de tanto chorar. Resumindo, imprópria para consumo. Mas a miúda tinha teste…

Abri o correio. Esperava quilos de publicidade e contas para pagar. Mas no meio disto vinha uma carta do hospital. “Mas que raio! O que é que querem agora?! Será alguma conta para pagar? Mas eu paguei tudo…”, fui falando comigo conforme subia as escadas. Abri a porta, depositei a tralha e fui a correr abrir a carta. Era a marcação de uma consulta no hospital para ir à dietista dia 17 do 12. Estranhei aquilo mas depois percebi, pelo documento que trazia anexo, que tinha sido feito o pedido de marcação no dia da alta da minha fistulectomia. Portanto, não tinha nada a ver com esta proposta de cirurgia.

 

Este rasgo de luz veio trazer-me alguma esperança e alento. No entanto continuo em dúvida se hei-de fazer os exames de preparação para a cirurgia. Acho que se calhar não vale a pena… que se calhar vou primeiro à consulta da dietista, exponho-lhe o caso e logo se vê o que ela diz!

 

 

Em todas as lágrimas há uma esperança”

                                                                      Simone de Beauvoir